Carmen Miranda
Maria do Carmo Miranda da Cunha não era brasileira, como muitos pensam. Nasceu em 9 de fevereiro de 1909 na freguesia de Marco de Canavezes, Província de Beira-Alta, Portugal. Veio para o Brasil ainda muito pequena, com apenas 10 meses de idade e foi criada bem no meio da boêmia carioca.
Adorava cantar e isso lhe custou o emprego como vendedora de gravatas. O dono do estabelecimento a despediu por distrair os colegas que paravam de trabalhar para ouvi-la.
Carmen Miranda é até hoje a cantora brasileira que mais fez sucesso no exterior. Dona de um estilo absolutamente único e particular, tanto na maneira de cantar como na performance de palco, teve uma vida de mito, cheia de glórias e dramas.
Aos 15 anos começou a trabalhar numa loja de chapéus.
Vários compositores almoçavam na pensão, entre eles Pixinguinha e seu grupo, e Carmen foi ficando popular como cantora: cantava em festas, reuniões e festivais. Tinha uma interpretação diferente, um quase imperceptível sotaque português que fazia mais graciosa sua apresentação. Seu repertório era composto basicamente de tangos. Em 1928 Carmen conheceu o compositor e violonista baiano Josué de Barros, que, impressionado com o seu talento, iniciou a jovem no meio artístico. O compositor, igualmente talentoso, tinha o mérito de ter "introduzido a M.P.B. na Europa, antes da Primeira Guerra Mundial. Contudo, numa declaração de modéstia, Josué declarou em 1955 que a sua biografia podia ser escrita com três palavras: ‘eu descobri Carmen’."1 A partir daí Josué passou a acompanhá-la em recitais, ensinou-lhe músicas populares, e, contra a vontade do pai, que não queria ver a filha "metida com essa coisa de música", levou Carmen à Rádio Sociedade e depois a outras emissoras.
A primeira gravação veio em 1929, pela Brunswick, tendo de um lado o samba "Não Vá Simbora" e o choro "Se o Samba É Moda", ambas de Josué. Carmen gravou alguns outros discos antes de estourar com seu primeiro grande sucesso, a marchinha "Pra Você Gostar de Mim (Taí)" (Joubert de Carvalho), que bateu recordes de venda, com 36.000 cópias.
Carmen Miranda era uma mulher baixinha...alguma coisa por volta de 1m 53. Em função de sua pouca estatura gostava de usar aqueles saltos enormes, plataformas mesmo de tão altos. Por causa disso o radialista César Ladeira a batizou, carinhosamente, de “ A pequena notável”.
Sua estréia no cinema se deu em 1932 com o filme O Carnaval cantado no Rio, e no ano seguinte A voz do Carnaval, ambos de Adhemar Gonzaga. Atuou em outras produções, todas de Wallace Downey: Alô, alô, Brasil (1935); Estudantes (1935); Alô, alô, Carnaval (1936) e Banana da Terra (1939), seu último filme no Brasil, no qual interpretava O que é que a baiana tem? acompanhada pelo Bando da Lua. Foi nesse filme que criou o estilo que a consagrou no mundo inteiro: roupas de baiana, turbantes, balangandãs, sandálias plataforma, as conhecidas gesticulações dos braços e do corpo, o revirar de olhos, o sorriso contagiante, enfim, Carmen tinha muita bossa, simpatia e humor, o que aumentava seu prestígio. Em 1933 Aurora Miranda, sua irmã mais nova, passou a acompanhá-la como cantora em diversos shows.
Carmen foi cantora exclusiva de diversas rádios: Victor (em São Paulo), Mayrink Veiga (onde foi "a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando todos recebiam somente cachês"2), Odeon e Tupi. Recebeu diversos slogans: "Cantora do it", "Embaixatriz do samba", "Ditadora risonha do samba" e, o mais significativo, "Pequena Notável", (pois era pequena mesmo, tinha 1,53 m de altura) sendo os dois últimos criados por César Ladeira, famoso radialista.
A partir daí, gravou diversos discos, fez cinema, trabalhou em dupla com sua irmã Aurora, fez parte da história do lendário Cassino da Urca, onde, em 1938 usou pela primeira vez o traje de baiana que a celebrizaria mundo afora. No Cassino conheceu um empresário norte-americano que a convenceu a ir para os Estados Unidos.
Acompanhada pelo Bando da Lua, a maior estrela do Brasil deixou uma legião de fãs chorando na sua despedida e chegou à América em 1939 totalmente desconhecida e sem falar inglês. Em pouco tempo fez participações em programas de grande audiência, cantando músicas como "Mamãe Eu Quero", "Tico-tico no Fubá", "O Que É Que a Baiana Tem?" e "South American Way" e se tornou um fenômeno também nos EUA, onde chegou a ser a segunda estrela mais bem paga de Hollywood.
No total, participou de dez filmes em Hollywood e ficou conhecida como a Brazilian Bombshell. Em 1940 voltou rapidamente ao Brasil, onde a população a recebeu com euforia, à exceção do público do Cassino da Urca, que a tratou com indiferença e frieza. Arrasada, Carmen encomendou uma música sobre a situação, e gravou "Disseram que Voltei Americanizada" (V. Paiva/ L. Peixoto). Depois disso voltou para os EUA e se radicou em Beverly Hills, onde continuou sua carreira de cantora e atriz de cinema e televisão. Em 1954 as pressões da indústria do entretenimento causaram uma crise de nervos, e a Pequena Notável veio ao Brasil para se tratar e descansar.
Em 25 de março de 1941 Carmen foi convidada a deixar impressas a sua assinatura, as marcas de suas mãos e seus pés na calçada da fama. Só as grandes estrelas de Hollywood tinham esse privilégio: Carmen foi a única sul-americana a deixar suas marcas na famosa calçada.
Mas todo esse sucesso tem um preço e Carmen sentiu no corpo o cansaço e o esgotamento que tantos compromissos acarretaram. Volta para o Brasil em dezembro de 1954. Fica reclusa no Copacabana Palace Hotel durante quatro meses. Mas as suas obrigações com produtores americanos a obrigam a voltar para os estados Unidos. Durante um desses compromissos, teve um discreto desmaio. Poucos perceberam. Voltou para sua casa em Beverly Hills onde recebeu alguns amigos. A última pessoa que deixou a casa saiu às 3 e 30 da manhã. Foram as últimas pessoas a verem Carmen Miranda com vida. Foi encontrada morta logo depois. Era o dia 5 de agosto de 1955. Carmen morria aos 46 anos de idade.
Carmen continuou sendo sempre lembrada por meio de shows e discos de homenagens, filmes, documentários sobre sua vida (como o premiado "Banana Is My Business", de Helena Solberg). Seu acervo está preservado no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro.
Aquela mulher pequena , com bananas equilibradas na cabeças e sapatos de saltos plataforma deixou de ser uma cantora de renome internacional e virou um mito. Nunca nenhum brasileiro chegou tão longe em sucesso e fama como ela. Era realmente uma pequena notável....
Em 20 anos de carreira deixou sua voz registrada em 279 gravações no Brasil e mais 34 nos E.U.A., num total de 313 gravações.
O Que é Que a Baiana Tem?
(Dorival Caymmi)
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
Tem torço de seda, tem!
Tem brincos de ouro tem!
Corrente de ouro tem!
Tem pano-da-costa, tem!
Sandália enfeitada, tem!
Tem graça como ninguém
Como ela requebra bem!
Quando você se requebrar
Caia por cima de mim
Caia por cima de mim
Caia por cima de mim
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
Tem torço de seda, tem!
Tem brincos de ouro tem!
Corrente de ouro tem!
Tem pano-da-costa, tem!
Sandália enfeitada, tem!
Só vai no Bonfim quem tem
(O Que é que a baiana tem?)
Só vai no Bonfim quem tem
Só vai no Bonfim quem tem
Um rosário de ouro, uma bolota assim
Quem não tem balagandãs não vai no Bonfim
(Oi, não vai no Bonfim)
(Oi, não vai no Bonfim)
Disseram Que Eu Voltei Americanizada(Luis Peixoto e Vicente Paiva)
Am Bm7/5- E7 Am
Disseram que eu voltei americanizada
E7
Com o burro do dinheiro
Am
Que estou muito rica
A7 Dm
Que não suporto mais o breque do pandeiro
B7 E7
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
Bm7/5-
E disseram que com as mãos
E7 Am
Estou preocupada
A7
E corre por aí
Dm
Que eu sei certo zum zum
Bm7/5- E7 Am
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
F E7 Am
E dos balangandans já não existe mais nenhum
G7 C7
Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno
Bm7/5- E7 A7
Eu posso lá ficar americanizada
Dm E7 Am
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
F E7
Topando a noite inteira a velha batucada
A7 Dm
Nas rodas de malandro minhas preferidas
G7 C7+
Eu digo mesmo eu te amo, e nunca I love you
F Bm7/5-
Enquanto houver Brasil
Am Am/G
Na hora da comida
F E7 Am
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu
Ta-hí(Joubert de Carvalho)
Int.:
Taí
Eu fiz tudo pra você gostar de mim
Oh meu bem não faz assim comigo, não
Você tem, você tem
Que me dar seu coração
Meu amor, não posso esquecer...
Se dá alegria, faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim
Essa história de gostar de alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
Eu não pensaria mais no amor
Alô... Alô?(André Filho)
Alô, alô, responde
Se gostas mesmo de mim de verdade
Alô, alô, responde
Responde com toda sinceridade
Alô, alô, responde
Se gostas de mim de verdade
Se não respondes
O meu coração é lágrima
Desesperado vai dizendo
Alô, alô
Ai se eu tivesse a certeza
Desse seu amor
A minha vida seria
Seria um rosário em flor
Responde então
Alô, alô
Continuas a não responder
E o telefone
Cada vez chamando mais
É sempre assim
Não consigo ligação meu bem
Indiferente não se importa
Com os meus ais
Principais sucessos:
Absolutamente, Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, 1931
Adeus batucada, Synval Silva, 1935
Alô?...Alô?..., André Filho, 1933
Balancê, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936
Boneca de piche, Ary Barroso e Luiz Iglezias, 1930
Burucuntum, Sinhô, 1930
Cachorro vira-lata, Alberto Ribeiro, 1937
Camisa listada, Assis Valente, 1937
Cantores do rádio, Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936
Chattanooga choo choo, Haarry Warren, Mack Gordon e versão brasileira de Aloísio de Oliveira, 1942
Chegou a hora da fogueira, Lamartine Babo, 1933
Chica chica boom chic, Harry Warren e Mack Gordon , 1941
Como "vaes" você, Ary Barroso, 1936
Disseram que voltei americanizada, Vicente Paiva e Luiz Peixoto, 1940
Diz que tem, Vicente Paiva e Aníbal Cruz, 1940
E o mundo não se acabou, Assis Valente, 1938
Eu dei, Ary Barroso, 1937
Good-bye, boy, Assis Valente, 1933
Isto é lá com Santo Antonio, Lamartine Babo, em dueto com Mário Reis, 1934
Minha embaixada chegou, Assis Valente, 1934
Moleque indigesto, Lamartine Babo, 1934
Na batucada da vida, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934
No tabuleiro da baiana, Ary Barroso, 1936
O dengo que a nega tem, Dorival Caymmi, 1940
O que é que a baiana tem?, Dorival Caymmi, 1939
O tic-tac do meu coração, Alcir Pires Vermelho e Walfrido Silva, 1935
Querido Adão, Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago, 1935
Sonho de papel, Alberto Ribeiro, 1935
Ta-hi!, Joubert de Carvalho, 1930
Uva de caminhão, Assis Valente, 1939
Sonhos são gratuitos,transforma-los e realidade tem um preço

